O Amor como uma Ação
- 4 de fev. de 2025
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Atualizado: 5 de fev. de 2025
“O amor é o que o amor faz”, como afirma Bell Hooks em seu livro Tudo sobre o Amor (2021), no qual ela cita uma passagem da obra de outro autor, o psiquiatra M. Scott Peck. Nessa passagem, ela apresenta a ideia de que o amor é uma escolha voluntária, que envolve tanto uma intenção quanto uma ação. Dessa forma, não se trata de uma condição instintiva, imposta aos humanos.
Ainda em seu ensaio, a autora argumenta que, para amar verdadeiramente, devemos aprender a combinar cuidado, afeição, reconhecimento, respeito, compromisso e confiança, além de honestidade e comunicação aberta. Assim, essa ação de amar o outro – seja um ente familiar, um amigo ou um parceiro amoroso – envolve muitos ingredientes importantes e intencionais.
No entanto, aprendemos desde cedo a ver o amor como um sentimento natural e espontâneo, que tende a caminhar junto com outros sentimentos, como mágoa, desapontamento ou até mesmo raiva, por exemplo, formando assim um belo paradoxo.
Se amar é sustentar o paradoxo, devemos conceber a possibilidade de sermos amados em contextos nos quais há abuso? Ou, até mesmo, podemos afirmar que amamos, mesmo quando somos nocivos ou abusivos?
Ao pensarmos no bebê humano, por exemplo, vemos que ele aprende sobre o amor a partir do cuidado e da afeição recebidos dos seus cuidadores. Nesse sentido, é no exercício de dedicação ao crescimento do outro e na segurança proporcionada pelos cuidados estabelecidos que aprendemos que cuidar é uma dimensão do amor – mas não a única.
Dessa forma, abuso e negligência são opostos ao cuidado. Então, por que naturalizamos o amor, apesar da violência? São perguntas reflexivas que o presente texto propõe, e não respostas conclusivas; seria uma tarefa árdua resolvermos a “matemática do coração”.
No âmbito familiar, por exemplo, podem coexistir dimensões positivas e negativas nas relações, o que pode gerar ambientes disfuncionais, onde a afeição, o prazer e o cuidado se misturam com violência, negligência e desrespeito. De qualquer forma, muitos de nós aprendemos que essa mistura de carinho e crueldade é aceitável e até natural.
Podemos observar as nuances da falta de amor nas relações amorosas, mas precisamos reconhecer que normalizar o abuso e a opressão não nos tornará psicologicamente mais fortes. Pelo contrário, experiências afetivas disfuncionais desde a infância impactam significativamente nosso comportamento como adultos.
Assim, esses padrões podem causar danos à psique e tendem a se repetir, pois, como sabemos, buscamos frequentemente repetir os modelos operacionais internos – muitas vezes inconscientes – dos relacionamentos, até obter algum aprendizado por meio das dores emocionais que vivemos. E, daí então, podemos realinhar de fato o que significa o amor para cada um de nós.




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